2h47min. Esqueci a chave de casa no seu apartamento. Tive de ir buscá-la. Encontrei-a em cima da mesa. Ao lado dela havia um papel amassado. “Fique aqui esta noite? Quero acordar com o seu sorriso”. Deixei a bolsa no sofá. Deitei ao seu lado. Dei um beijo na ponta do seu nariz. Você sorriu e me abraçou. Eu dormi. 4h20min. Abri os olhos e você não estava lá. Olhei na sacada e você estava sentado lá. Fumando, para variar. Perguntei o que você fazia acordado tão cedo. E você disse que não entendia o que uma garota como eu estava fazendo com um inútil como você. Eu sorri, te beijei e disse que o amor era assim mesmo. Voltei para a cama e dormi novamente. 8h03min. O sol bateu em meu rosto, me fazendo acordar. Não te encontrei. Tive medo. Medo de que você tivesse me deixado. Você sempre deixava algum recado na geladeira quando saía. E dessa vez não havia encontrado nada ali. No seu guarda-roupa ainda havia a maioria de suas peças de roupa. Isso me acalmou. 11h51min. Você apareceu. Perguntei onde você estava e por que não deixou um recado. Você disse que ia estragar tudo se dissesse aonde ia. Mas que não tinha feito nada demais. Disse que foi na casa do seu amigo porque precisava fazer uma coisa. Uma coisa para mim. Fiquei confusa quando te ouvi dizer isso. Perguntei o que era. Você abriu a camisa e ali estava um coração humano. Tatuado no lado esquerdo do peito. Cheio de veias e artérias. E bem no meio o meu nome. Perguntei se você era idiota e se você sabia que nada dura para sempre. Você sorriu, me beijou e disse que o amor era assim mesmo. Perguntei o que você faria com o nome que estava tatuado em seu peito caso eu te deixasse. Você me olhou calado por alguns instantes. Depois disse que amor de verdade só existe um, e que o seu coração sempre carregaria o meu nome, assim como a tatuagem.
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