Domingo tedioso; chuvoso. Sentei-me na calçada, olhei para o céu e esperei um milagre. A chuva cessou. Olhei para os lados, não vi ninguém. Murmurei alguma coisa insignificante. Pegueium cigarro no bolso da jaqueta. Olhei para o céu novamente. Um feixe de luz me cegou por um segundo. Eis que surge um anjo. Rosto delicado e pálido; cabelos medianos e escuros. Nas costas, asas - belas asas; enormes – desenhadas, ou melhor, tatuadas. Ela sentou-se ao meu lado e arrancou o cigarro de meus dedos. Não disse nada, apenas me encarou por algum tempo. Eu tinha medo de tocá-la. Meus dedos rudes poderiam ferir sua pele frágil; meus lábios frios poderiam congelar seu coração. Então apenas olhei para ela, para gravar cada centímetro; cada traço; cada semblante de seu rosto, antes que ela sumisse com o sol. Procurei diversos defeitos, não encontrei algum. Sua voz encantadora quebrou o silêncio: “Não vais perguntar quem sou eu?”. Olhei para seus lábios enquanto pronunciava as palavras. “Não!Já sei quem é. Sonhei com você várias vezes”. Ela sorriu, meu coração derreteu. “E quem disse que sou como a guria dos teus sonhos? Posso ser deveras diferente”. Ah, aquela voz adentrava meus ouvidos como uma canção de ninar. “Impossível”, eu disse enquanto sorria. Conversamos por horas. O sol tocou o chão e as estrelas apareciam como lágrimas no céu. Segurei sua mão.Senti meu coração acelerar e o dela também. Ela olhou para mim e tocou seus lindos lábios nos meus. Naquele momento eu soube que ela era o milagre que eu venho esperando por todo esse tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário